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terça-feira, 3 de novembro de 2026
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Recordar para não repetir
Há frases que nos acompanham como pequenas constelações privadas. A de Santayana — “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo” — entrou na minha vida pela voz firme da tenente Ivanova, num episódio antigo de Babylon 5. Talvez por isso tenha ficado: não como teoria, mas como aviso vivido, dito num universo onde a história insiste em voltar, sempre que não é compreendida.
Com o tempo, percebi que Santayana não fala apenas de política ou de guerras distantes. Fala de nós. Do que carregamos sem perceber. Do que repetimos sem querer. Do que se infiltra nos dias quando não olhamos com cuidado para o que já fomos.
Recordar não é reviver. Recordar é integrar. É aceitar que o passado não precisa de ser um fantasma, mas pode ser uma ferramenta. Quando o reconhecemos, ele deixa de comandar silenciosamente os nossos gestos. Quando o iluminamos, deixa de nos empurrar para ciclos que já conhecemos demasiado bem.
Talvez seja isso que Ivanova sabia — e que Santayana pressentiu. O passado não desaparece. Mas pode transformar‑se. E nós também.
Recordar é um ato de liberdade. Repetir é o contrário: é o destino que escolhemos quando recusamos ver.
No fim, lembrar o passado não nos condena a nada. É o esquecimento que nos aprisiona. A memória, essa sim, abre caminho para recomeços mais conscientes, mais tranquilos, mais nossos.
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