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quarta-feira, 27 de maio de 2026

Confiar em Deus: a minha maior luta e o lugar onde Ele me encontra

 

Creio em Deus. Creio no Seu amor.

Mas confiar plenamente n’Ele… isso é outra história.

Ao longo da vida, Deus já me deu sinais claros de que me ama e de que o meu maior obstáculo não é a falta de fé, mas a dificuldade em me deixar conduzir por Ele. Entregar-Lhe os meus problemas, as contrariedades do dia, as mágoas do passado e o futuro que tanto tento controlar — tudo isso me custa, porque a minha primeira reação é agarrar, não entregar.

A vida dói. Não é como eu queria. Deus não responde como eu imagino. E, quando responde, tantas vezes não O escuto porque estou demasiado ocupada com o meu pequeno mundo interior, cheio de medos, urgências e expectativas.

Mas já experimentei — e profundamente — que quando afrouxo o aperto, quando deixo espaço para Deus entrar, as coisas acontecem com uma simplicidade que não vem de mim. Ele dá-me o que preciso, não o que eu exijo. E, por instantes, tudo se alinha, tudo respira, tudo encontra o seu lugar.

E, no entanto, volto ao mesmo ponto. Como quem aprende e desaprende. Como quem confia e depois teme de novo.

Talvez seja precisamente aqui que Deus me quer: no reconhecimento humilde da minha fragilidade, não como falha, mas como porta aberta. A confiança não nasce de uma força interior que eu não tenho. Não nasce de um gesto heroico. Não nasce de uma rendição forçada.

A confiança nasce da relação. Do saber que Deus é Pai. Do acreditar que Ele me segura mesmo quando eu tremo. Do permitir que Ele seja Deus na minha vida, pouco a pouco, dia após dia.

Confiar é um movimento lento, um abandono amoroso, um “sim” repetido no meio do medo. É deixar que Deus seja maior do que as minhas tentativas de controlar tudo. É permitir que Ele me encontre exatamente onde eu sou mais frágil.

E por isso rezo:

Senhor, tudo podeis. Ensinai-me a colocar-me nas Tuas mãos como a criança que se abandona nos braços do pai quando tem medo.

sábado, 9 de maio de 2026

No Silêncio Onde Deus Trabalha - A Graça Oculta das Demoras

 

Quando a Alma Aprende a Esperar

Há dias em que a vida parece suspensa por um fio. Não é preciso uma grande tragédia para que o coração se agite — basta um pequeno contratempo, uma demora inesperada, um obstáculo que não conseguimos remover com as nossas próprias mãos. E, de repente, tudo dentro de nós se torna inquieto.

Hoje, enquanto tentava aceder ao meu blog — esse pequeno espaço onde deposito o que Deus me vai soprando — encontrei apenas silêncio. Um silêncio técnico, frio, feito de erros e páginas que não abrem. Mas, por dentro, esse silêncio tornou‑se espiritual. Tornou‑se espelho.

E lembrei‑me das palavras do Eclesiástico:

“Se entrares para o serviço de Deus, permanece firme e prepara a tua alma para a provação.” (Eclo 2,1)

Como se o Senhor dissesse: “Não te assustes. Isto também faz parte do caminho.”

A provação não é sempre dramática. Às vezes é isto: a demora. A sensação de impotência. O medo de perder algo que se ama. O desânimo que se insinua devagar. A tentação de pensar que Deus se esqueceu.

E, no entanto, a Palavra continua:

“Sofre as demoras de Deus. Confia n’Ele, e Ele te salvará.” (Eclo 2,3)

A ferida mais funda não é a falha técnica, mas a falta de confiança. É aí que tropeço. É aí que Deus me trabalha. É aí que Ele me chama a permanecer.

E o Evangelho veio confirmar:

“Se a Mim Me perseguiram, também a vós vos hão de perseguir.” (Jo 15,20)

Não porque Deus queira que soframos, mas porque seguir Jesus é caminhar contra a corrente — e isso inclui enfrentar contrariedades, resistências, atrasos, e até pequenas sombras que tentam roubar a paz.

No meio da frustração, senti que Deus dizia:

“Confia. Eu ajo no momento certo. A tua missão não depende da velocidade das coisas, mas da fidelidade do teu coração.”

E percebi: a verdadeira luta não é contra o erro técnico, mas contra o desânimo que tenta entrar pela porta entreaberta.

A vida do homem é, de facto, uma luta constante — não contra o mundo exterior, mas contra tudo o que tenta apagar a luz dentro de nós.

Hoje, agradeço a Deus por me recordar isto. Por transformar uma dificuldade tão pequena numa lição tão grande. Por me ensinar, mais uma vez, a confiar. E por me lembrar que a paciência não é passividade: é fé em movimento, silenciosa e firme.

domingo, 5 de abril de 2026

A linguagem suave de Deus – O silêncio que transforma

 Desde aquela tarde em que entrei em casa, vinda de um retiro, abri a porta e encontrei silêncio. Apenas silêncio. Fiquei surpreendida e, ao mesmo tempo, profundamente em paz. Era como se, finalmente, eu tivesse encontrado aquilo que há tanto tempo procurava: o silêncio onde Deus se encontra com o nosso verdadeiro eu e nos revela as profundezas do nosso ser mais íntimo.

Tantas vezes Ele me falou no silêncio: no silêncio diante do sacrário, no silêncio da noite, com apenas uma pequenina luz a indicar a Sua presença real.

Quantas vezes essa luz me deu serenidade no meio da tormenta, repetindo ao meu coração: “Não temas. Eu estou aqui e te acompanho. Não te preocupes: tudo se resolverá à Minha maneira. Os caminhos do homem não são os caminhos de Deus. Confia. Simplesmente confia e entrega-te a Mim, que sou manso e humilde de coração.”

Ó Senhor, quantas vezes quis caminhar ao meu próprio ritmo, esquecendo-me de que Tu és o Caminho, a Verdade e a Vida. Ó meu bom Jesus, salva-me de mim mesma.

Os homens temem o silêncio. Preferem o barulho, a inquietude, a agitação… porque temem o vazio que o silêncio revela. Mas é precisamente nesse vazio que habita Aquele que nos salva de nós mesmos.

Ele chama-nos suavemente, sem barulho, sem pressa. Está ali, à nossa espera, se O quisermos acolher… no silêncio.

Naquele silêncio onde nenhum ruído entra. Onde somos só nós e Ele.

Tea, cats & books

Como seguir em frente quando estamos presos ao passado

  Todos nós carregamos traumas — dores que não deixam marcas visíveis, mas que permanecem enraizadas no mais profundo do nosso ser. Levamo-l...