Escrevi esta oração num dia em que o cansaço pesava mais do que o habitual. É um pedido simples, nascido da vida real: aprender a esperar sem culpa, sem pressa e sem medo.
Senhor meu Deus,
Só Vos peço a graça da paciência.
Paciência para me aturar a mim própria,
com os meus cansaços, as minhas dúvidas, as minhas limitações.
E paciência para aturar os outros,
quando já sinto que pouco mais consigo dar.
O cansaço é muito.
Há perguntas para as quais não tenho resposta,
há situações que não dependem de mim
e há insistências que parecem não ter fim.
Todos querem tudo agora.
Eu também, Senhor… tantas vezes também quero.
Quero respostas agora, soluções agora, certezas agora.
Mas a vida nem sempre acontece no nosso tempo.
Ninguém quer esperar.
E, muitas vezes, ninguém sabe esperar.
Há pessoas ansiosas, à procura de respostas,
à procura de alguém que resolva,
de alguém que faça por elas,
de alguém que pense por elas aquilo que elas próprias deveriam pensar.
E eu, no meio de tudo isto,
sinto por vezes que também preciso de parar.
Por isso, Senhor,
não Vos peço que torneis o mundo mais paciente.
Peço-Vos que torneis o meu coração mais paciente.
Dai-me serenidade para dizer:
“Não sei.”
Coragem para dizer:
“Não depende de mim.”
Sabedoria para perceber:
“Isto pode esperar.”
E força para não carregar aquilo que não me pertence.
Ajudai-me a compreender que nem todas as perguntas precisam de uma resposta
imediata,
nem todos os problemas precisam de ser resolvidos por mim,
nem todas as pessoas precisam que eu lhes encontre o caminho.
Ensinai-me a esperar.
A respirar.
A confiar.
A fazer o que posso, quando posso,
e a entregar-Vos aquilo que não consigo controlar.
E, sobretudo, Senhor,
quando a paciência me faltar,
lembrai-me de que eu também sou humana,
também me canso,
também preciso de tempo
e também preciso de Vós.
Dai-me, então, a graça da paciência.
Uma paciência tranquila,
sem culpa, sem revolta, sem pressa.
Hoje, Senhor, não Vos peço respostas.
Peço apenas serenidade para esperar por elas.
Ámen.
