Cheguei a casa mais tarde do que o habitual. Depois de um dia cheio, atravessar a porta e encontrar o silêncio da casa foi como entrar num pequeno santuário. O corpo pedia pausa, e o duche — quente, lento, um ritual suave — devolveu-me um bem-estar que na semana passada a dor no joelho me tinha roubado. Há gestos tão simples que só percebemos a sua graça quando nos faltam.
O serão segue sem pressas. O jantar já tomado, arrumo apenas o essencial, preparo a marmita para amanhã, deixo a casa respirar comigo. No YouTube, deixo-me conduzir por um vídeo da Associação Regina Fidei ou por uma homilia do Padre Paulo Ricardo — alimento discreto, mas profundo, que vai alinhando o coração.
E quando tudo abranda, recolho-me na oração da noite. Em silêncio, agradeço o dia que passou — com o que trouxe de cansaço e com o que trouxe de graça. É o momento em que entrego, confio e descanso. Onde a alma encontra o seu lugar e o dia se fecha com sentido.
Depois disso, não planeio muito. Apenas sigo o momento e deixo que a noite me envolva. Há dias em que basta isto: um duche quente, um canto arrumado, uma oração sincera e a paz suave de saber que, apesar de tudo, Deus esteve presente em cada passo.
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