Reflexão para a Vigília da Ressurreição
Nesta noite que abraça o mundo, regressamos aos passos que nos trouxeram até aqui. Voltamos à mesa onde Jesus partiu o pão, à água que lavou os pés cansados, à ternura que se inclinou diante da fragilidade humana. Ali, na simplicidade da Ceia, o Amor fez-se serviço, e o Eterno ajoelhou-se diante do pequeno.
Depois, caminhamos até à sexta-feira, onde o silêncio pesou mais do que os gritos, e a Cruz ergueu-se como sinal de fidelidade. Não foi derrota, mas entrega. Não foi fim, mas promessa. Naquele madeiro, Jesus permaneceu — permaneceu por amor, permaneceu connosco, permaneceu para que nenhuma noite humana fosse vivida sozinha.
E agora, chegados a esta grande noite, algo se move no coração da terra. A pedra que parecia definitiva torna-se porta. O túmulo que guardava silêncio torna-se anúncio. A morte, que julgava ter a última palavra, perde o fôlego.
A Ressurreição não apaga a Cruz — ilumina-a por dentro. A dor não é negada — é atravessada. A noite não é evitada — é transformada em aurora.
Nesta noite, Deus diz ao mundo: “Nenhuma sombra é eterna. Nenhuma história termina no desespero. Nenhuma vida está perdida.”
E talvez seja isso que esta Páscoa deseja sussurrar ao teu coração: que tudo o que pesa pode ser tocado pela luz, que tudo o que parece imóvel pode renascer, que tudo o que em ti é silêncio pode tornar-se cântico.
Porque a Ressurreição é mais do que um acontecimento antigo — é o movimento contínuo de Deus a recriar o mundo, a reacender o que se apagou, a chamar pelo nome aquilo que julgávamos morto.
Hoje celebramos o “sim” definitivo de Deus à vida. E celebramos também o “sim” que Ele te dirige a ti: um convite a caminhar da noite para a luz, da cruz para a esperança, da morte para a vida que recomeça sempre.
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